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Não sou de ficar muito tempo em frente à TV exceto para ver filmes e séries, mas tenho acompanhado a novela Viver a Vida, confesso que mais por causa do figurino, make e cia ltda.

Aline já me encantou com o pouco (ou quase nada) que vi do figurino e parece ser super divertida.

Aline

Otto ama Aline e é amigo de Pedro. Pedro ama Aline e é amigo de Otto. "Ela ama os dois. E eles se completam!", assim simplifica Maria Flor, atriz que interpreta Aline, personagem que dá nome à série que estreia na Rede Globo no dia 1º de outubro, logo após 'A Grande Família'.

‘Aline’ é baseada na personagem homônima dos quadrinhos de Adão Iturrusgarai. Na história, a ela mora com Otto e Pedro, vividos na série por Bernardo Marinho e Pedro Neschling, respectivamente. "É uma comédia romântica com uma premissa diferente: uma mulher com dois homens", define o roteirista, Mauro Wilson.

A primeira temporada da série vai contar as aventuras, angústias, alegrias e tristezas deste trio. Aline foi um especial de fim de ano, exibido em dezembro de 2008, na Rede Globo. "Enquanto o especial era mais centrado na história da Aline com seus dois namorados, esta primeira temporada mostrará o cotidiano deles. Tem humor, música, espírito nonsense e ritmo de quadrinhos", explica Maurício Farias, diretor-geral da série.

Entre os assuntos que serão abordados nos sete episódios estão as crises femininas de Aline, a procura de emprego pelos meninos e os relacionamentos dos três com os seus respectivos pais. As gravações aconteceram entre os meses de junho a setembro deste ano, em São Paulo, onde a série se passa, e no Rio de Janeiro, na Central Globo de Produção.

‘Aline’ tem texto de Mauro Wilson, Cláudio Lisboa, Péricles Barros, Tatiane Bernardi, Manuela Dias, Zé Dassilva e Gabriela Amaral. O roteiro final é de Mauro Wilson, a direção é de Mauro Farias e Maurício Farias e a direção-geral de Maurício Farias.

Figurino, arte e trilha

Para criar o clima jovem e descontraído da série, o produtor de arte Eduardo Feijó, o Guga, investiu nos grafismos e na mistura de cores. "Fizemos uma pesquisa do universo do paulista jovem e nos baseamos muito naquelas casas inglesas onde as pessoas se apropriam das coisas, algumas herdadas dos avós, outras presentes de amigos e assim por diante. Dando este ar de reciclado, de reutilizado", explica Guga.

Para a cenógrafa Luciane Nicolino, a criatividade é que manda na decoração. “O que guiou a arte, a fotografia, o figurino e a cenografia de ‘Aline’ foi a cara moderna de São Paulo, de uma juventude ousada. E por serem jovens que não têm muito dinheiro, eles são alternativos e, consequentemente, criativos”, explica Nicolino.

E por ser um programa de humor, originado nos quadrinhos, a produção de arte abusou das cores fortes, gravuras e das informações visuais em geral, a fim de criar um ambiente com vida própria. Feijó conta que uma de suas referências foi o trabalho dos artistas plásticos Os Gêmeos: "Queríamos muito que eles participassem de alguma forma deste projeto. Utilizamos o trabalho deles como referência, assim como os de outros grafiteiros também”, completa Guga.

Apesar de ser totalmente desapegada e vivendo de acordo com seu estado de espírito, Aline segue um estilo próprio no quesito moda. Indiscutivelmente um “vulcão de emoções’’, ela se preocupa mais com suas dúvidas e conflitos pessoais, do que com a combinação de suas roupas.

Para dar vida a esta personalidade multifacetada, a figurinista Marina Alcântara utilizou a cidade de São Paulo – berço de Aline – como referência. “Eu acho Aline a cara de São Paulo e vemos isto nos diversos personagens que ela incorpora em cada história. A sua diversidade é reflexo desta cidade”, afirma a figurinista. Fruto da imaginação do cartunista Adão Iturrusgarai, Aline pode ser considerada uma legítima “it girl”, com um estilo único, que varia de acordo com o seu humor. Para Marina, o acessório que melhor define a protagonista é a sua minissaia de caveira, herança dos quadrinhos e incorporada no guarda-roupa de Maria Flor na série.

A trilha sonora de ‘Aline’ é bem variada. “É como uma loja de CD: cada hora está tocando uma música diferente”, diz Branco Mello, responsável pela trilha da série, ao lado de Emerson Villani. Apesar de muito rock dos anos 70, a maioria das músicas da série são criações de Branco e Emerson. “Musicalmente é muito gostoso de fazer, existe uma gama de possibilidades muito grande. A pegada de rock é forte, mas tem música brasileira, ópera e música eletrônica”, descreve Mello.

Leia mais: Entrevista com o roteirista, com o diretor e perfil dos personagens

 

Entrevista com o roteirista Mauro Wilson

Quando e como surgiu a ideia de adaptar as tirinhas do Adão Iturrusgarai?

Eu estava à procura de uma comédia romântica (o gênero que eu mais gosto de escrever), quando me veio a ideia de adaptar ‘Aline’- para mim é uma comédia romântica com uma premissa diferente: uma mulher com dois homens. Como eu sou amigo do Adão de longa data, a gente se sentou no Baixo Gávea, bairro boêmio do Rio de Janeiro, e acertamos a nossa parceria: os personagens dele e a minha adaptação para TV Globo.

É a primeira vez que você faz esse tipo de adaptação?

Exatamente. Este foi outro desafio que eu resolvi topar. Adoro desafios. Eu nunca tinha feito nenhuma adaptação antes. E adorei. É muito bom trabalhar com as ideias dos outros.

Como é feita esta adaptação da linguagem HQ para a televisão?

É basicamente transformar desenhos em seres humanos. Você abre mais o leque emocional dos personagens, cria mais camadas, aumenta os conflitos tanto internos como externos. Os personagens ficam mais reais. Os relacionamentos ganham mais espaços na história. As tramas ficam mais complexas. E por aí vai...

O que os personagens e a história da Aline ganharam com esta mudança?

De um modo geral todos ganharam. Ficaram mais humanos, mais reais, mais dia a dia. Mas acho que os pais de Aline ganharam um espaço maior. Eles possuem uma trilha forte nos episódios e também ganharam um arco dramático: eles começam juntos, se separam, arranjam novos parceiros e no final voltam a ficar juntos.

O que mudou do especial de fim de ano para a primeira temporada da série?

O especial era totalmente centrado no triângulo: Aline, Pedro e Otto. Agora, na primeira temporada, vamos contar as aventuras e desventuras desses três personagens. A falta de grana, a procura de trabalho, as crises femininas de Aline (TPM, acha que está gorda...), os relac
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dos três com os seus respectivos pais. O pai de Pedro é um saxofonista meio perdido, o pai de Otto tem uma oficina mecânica. Enfim, eles vão viver as suas vidas com todos os conflitos, dramas e problemas que três jovens passam em uma cidade mega como São Paulo (que está encantadora nos episódios).

Quais foram as referências que você teve para esta adaptação?

Junto com Maurício Farias, diretor-geral da série, usamos como referência a nouvelle vague francesa: principalmente Truffaut e Godard. Aquele tom de dramatizar a vida e tirar dela um encanto especial. O prazer de ser jovem.

O nome da Maria Flor foi sugerido por você?

Não. Maria Flor fez o teste para Aline e acertou em cheio o tom do personagem. Ela passa determinação, força e um tom selvagem junto com uma paixão que não deixa dúvida que ela ama loucamente Pedro e Otto. E consegue ser engraçada e romântica ao mesmo tempo.

Entrevista com o diretor-geral Maurício Farias

Qual foi o desafio da direção na adaptação dos quadrinhos de Aline para a linguagem de TV?

Mauro Wilson adaptou muito bem a Aline dos quadrinhos. O seu texto possui um humor inteligente, ágil e transgressor na medida certa para a televisão. O desafio da direção foi dar vida a esse texto, dentro de uma estética moderna que melhor retratasse os sentimentos dos jovens diante da vida.

Como foi a escolha do elenco?

O elenco foi todo escolhido por mim, assessorado pela Andréa Imperatore (produtora de elenco da Rede Globo), que trabalha comigo há anos. Alguns são velhos parceiros como Daniel Dantas, Paulo Betti, Otavio Muller, Isio Ghelman e Camila Amado. Outros trabalhei pela primeira vez, como Malu Galli, Gilberto Gavronski e Paulo Miklos. Todos grandes atores que arrasam em seus papéis. Para escolher quem faria a Aline, o Otto e o Pedro, fizemos alguns testes em novembro do ano passado. Foi quando encontrei com Maria Flor, Pedro Neschling e Bernardo Marinho. A cumplicidade entre eles foi imediata e espontânea. Maria tem um brilho especial. Ela é uma atriz muito madura para a idade que tem. Pedro e Bernardo também são excelentes. Juntos formam um triângulo divertido e carismático. Nos testes conheci também as talentosas Bianca Comparato e a Raquel Galvão. Mostrei toda a turma para o Mauro Wilson e ele adorou. Foi assim que escolhemos o elenco.

Como foram as gravações em São Paulo? Por que optou pela cidade?

A gravações em São Paulo foram sensacionais! Aline é uma personagem urbana e São Paulo é a nossa grande metrópole. É uma cidade moderna como Aline. Ela não poderia viver em outro lugar.

Quais são as novidades da série, além da periodicidade, em relação ao especial de fim de ano de 2008?

A temporada conta várias aventuras da Aline diante da falta de dinheiro, do medo de engordar, das suas dúvidas no amor e muitas outras coisas. Temos novos personagens, como o “durão” e engraçado namorado do patrão da Aline chamado Rico (Otavio Muller), a moderna e romântica vizinha Kelly (Bianca Comparato), o excêntrico ex-namorado da mãe dela chamado Zito (Paulo Betti), a jovem cantora e rival da Aline chamada Lola (Raquel Galvão), o “largadão” pai do Pedro chamado Jorge (Paulo Miklos) e muitas participações especiais.

O que assistiu, em que se inspirou para a direção da série?

Minha inspiração foi musical. Sempre adorei música e esse foi o caminho que encontrei para me aproximar do universo da Aline. Os jovens hoje em dia vivem cercados de músicas de todos os tempos, que conhecem através da internet, que escutam em seus MP 4 e em jogos eletrônicos. Eles possuem um conhecimento musical surpreendente. Aline, além disso, trabalha numa loja de discos de vinil onde escuta rock’n roll, MPB e até música clássica.

Como foi trabalhar com um elenco jovem, já que o trio de protagonistas não têm mais do que 25 anos?

Foi uma delícia. Os jovens têm uma beleza natural da idade, uma alegria contagiante de quem está descobrindo a vida e o mundo. Maria, Bernardo e Pedro possuem tudo isso além de serem atores muito talentosos e aplicados. Trabalhei em ótima companhia.

Perfil dos personagens

Aline (Maria Flor) - é uma mulher de vinte e poucos anos que vive na maior cidade deste país, São Paulo. Aline é descolada, escolada, esperta, independente, bonita, engraçada e acredita no amor, independente do que a sociedade entende por isso. Ela lança moda, avança ao invés de recuar, arrisca tudo sempre e acredita que a felicidade é possível e está bem ali na esquina.

Otto (Bernardo Marinho) - é um jovem de vinte e poucos anos que também vive em São Paulo. Inseguro e um tanto imaturo, Otto é como a maioria dos sujeitos dessa idade. Sobrevivendo da "rala" mesada dos pais e do amor incondicional de Aline, ele não sabe o que quer ser da vida, só tendo a certeza de que será ao lado de sua amada.

Pedro (Pedro Neschling) - é um rapaz da mesma faixa etária de Aline e Otto. Pedro também é um inseguro e imaturo, como todos os sujeitos de vinte e poucos anos são, mas ele não vive da mesada dos pais, para sua falta de sorte. Ele faz bicos e, com eles, consegue pagar - muito mal - suas contas. Entregador de pizza, lavador de pratos, vendedor de enciclopédia, salva-vidas de piscina, encanador, tudo e qualquer coisa é o que ele está disposto a fazer, mesmo que a maioria não dê muito certo. Pedro é o outro grande amor de Aline e é capaz de fazer tudo por ela, mesmo sabendo que seu maior sucesso é o namoro em si, já que o restante de suas empreitadas nunca são bem sucedidas.

José Cândido, Zé (Daniel Dantas) – o pai da Aline é um sujeito que viveu intensamente a década de 70, foi hippie e está envelhecendo. Um homem que já passa da casa dos quarenta sem muitos sonhos, desejos e realizações, só não querendo ver o mundo cair em sua cabeça. Zé é um homem dominado por suas duas mulheres: Dolores, sua esposa mandona-depressiva e Aline, sua filha e maior xodó. Sempre ao lado da filha, mesmo que às vezes chore escondido por ela ser tão moderna, Zé se descobrirá muito mais parecido com ela do que imagina e verá que essa modernidade é mais divertida e complicada do que imagina.

Dolores Silva (Malu Galli) – a mãe da Aline é uma mulher que aprendeu muito com a vida e com o tempo, o que lhe tornou uma pessoa muito endurecida na maioria das vezes. Também tendo passado da casa dos quarenta - mesmo que nunca vá dizer isso em público - ela é uma mulher bonita que tem pavor de envelhecer. Achando que não é uma boa esposa para Zé e que não foi uma boa mãe para Aline, tentará virar a melhor amiga da filha e mudar as coisas em sua vida amorosa. O que ela não imagina é a quantidade de confusões em que se meterá por conta disto. Dolores também é invocada, cínica e desiludida. Mas lá no fundo tem um coração romântico que bate com força pelo Zé.

Pipo (Gilberto Gawronski) - é dono da loja de CDs e DVDs, “Pipo Records”, em que Aline trabalha. Pipo é daqueles sujeitos fortes e mal encarados, mas no fundo é sensível e muito doce. Homossexual assumido e muito romântico, ele é o melhor amigo de Aline e seu confidente em momentos de crises.

Rico (Otavio Muller) – é o sócio, a cara-metade, a alma g]

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